Gather ye rosebuds while ye may,
Old Time is still a-flying:
And this same flower that smiles to-day
To-morrow will be dying.
a pipa (sonho diurno)
A pipa flutuava no céu e a menina voava com ela. Lá de cima podia ver os seus pais e avós passeando na montanha, envoltos pela névoa. Foi descendo com a pipa para conversar com o seu pai, quando o barbante lhe escorregou das mãos. A menina e seu pai tentaram pegar a pipa, que fugia com resistência. Chegaram à beira do penhasco rochoso. A pipa começou a cair, até enganchar em uma pedra. Aflita, a menina tentava pegá-la, ou pelo menos puxar o barbante – esforço vão. Enquanto isso, o seu pai a convencia a esquecer a pipa e deixá-la voar.
[ estilo: Fellini 8 1/2 ]
08/04 - o sonho que virou devir
Eu estava em uma calçada de algum boulevard em Paris. Gilles Deleuze passou muito rápido por mim e parou na esquina à nossa frente. De repente, ele entrou no devir-coelho, virou um coelho e quase foi atropelado por um ônibus que virou aquela esquina muito rápido, se esquivando um pouco para a calçada (como uma moto). Peguei o Deleuze-coelho em meu colo, salvando-o. Ele, entretanto, sendo um coelho, queria fugir de mim. Falei:
- Não! Não foge! Você pode ser atropelado!
- Por quê? Ele me perguntou
- Porque os ônibus pros coelhos são como as pistolas pra nós.
- Ooooh! O perspectivismo! É verdade, eu concordo!
Levei-o então para mostrar para as outras pessoas, em meu colo. O meu pai e mais algumas pessoas estavam lá. No entanto ninguém acreditava que aquele coelho era o Deleuze. O problema não era o coelho ter sido um homem que se transformou. O problema é que ele era o Deleuze. E eu falava para as pessoas:
- É ele! Eu vi acontecer na minha frente!
E as pessoas me respondiam:
- Você deve ter sonhado…
- Não! Eu também pensava que era um sonho até ele começar a falar comigo!
Então percebi que não era um sonho, e sim o devir. E que o devir era possível.
A professora de filosofia era uma cantora famosa e muito boa. A sua música mistura folk inglês e coisas mais modernas. Os meus amigos me mostraram o twitter dela e queriam muito que eu ouvisse o seu novo CD, porque eu não a conhecia. Ela era uma Nico brasileira.
Jorge Luis BORGES (Argentinian, 1899 - 1986) Self-portrait. ink on paper
8 3/4 x 6 inches (225 x 150 mm)
(via abismos)
São Paulo. Passamos por uma festa onde estava tocando Ros Sereysothea. Ficamos tão felizes com a surpresa - achavamos que ninguém no Brasil conhecia rock cambodjano - que entramos na festa já dançando.
raki
Estamos em um quarto vermelho.
O mundo é realmente infinito. A letra rabisca o papel higiênico. Pisco profundamente, e a leda pigarreia e tosse e desenha linhas-palavras com tinteiro negra.
Escrevo sobre Burroughs e Ginsberg e o Yagé.
Durmo. Sonho. E este escrito faz parte do sonho, que não é lúcido, opostamente. O mar é tão bonito… Calmaria. As luzes brilham e piscam profundamente, e as águas negras. Um velho farol.
Amanhã, a desmemória e nós em um quarto vermelho.
San Francisco
August 28, 1963
To whom it may concern:
Self deciphers this correspondence thus: the vision of ministering angels my fellow man and woman first wholly glimpsed while the Curandero gently crooned human in Ayahuasca trance-state 1960 was prophetic of transfiguration of self consciousness from homeless mind sensation of eternal fright to incarnate body feeling present bliss now actualized 1963.
Old love, as ever
Allen Ginsberg
31/05
aspargos flutuantes, grandes e bem verdes.
estado (pós)hipnagógico
(@ abismos)